Como o universo me obrigou a criar essa marca.
No verão de 1999, minha cabeça estava ocupada com preocupações vitais: onde conseguir dinheiro para a próxima cerveja e se o Bug do Milênio ia deletar minha existência.
Eu definitivamente não estava preparado para começar a ser stalkeado espiritualmente por um peixe venenoso com cara de quem está tendo um ataque de pânico constante.
Salve. Sou Marcos Meress.
Nessa época, eu era só mais um jovem latino-americano com a cabeça cheia de fumaça, estômago vazio, colar de coco e zero ideia do que vinha pela frente.
Eu só queria matar a fome naquela manhã — e acabei quase morrendo envenenado, ganhando uma história bizarra com um baiacu e, anos depois, a ideia fixa de criar algo maior.
Essa é a história de como esse peixe neurótico começou a me dar sinais. 👇
FASE 1: O Flerte Involuntário (A Criança Mandaleira) 🌀
Tudo começa antes da marca, antes de eu saber o que era ter o nome sujo no Serasa.
Quinta série. Eu, tentando impressionar as meninas da escola, passava horas desenhando mandalas complexas no caderno. Eu achava que estava abalando, usando a arte como expressão.
Anos depois, descubro que o baiacu macho faz exatamente a mesma coisa no fundo do mar. Ele desenha círculos perfeitos na areia com a barbatana pra atrair a fêmea.
Ou seja: eu e o peixe compartilhávamos o mesmo ritual de flerte. Sem saber, eu já estava conectado com a criatura pela via da arte (e da vergonha alheia romântica).
FASE 2: A Larica Assassina (1999) 🌊☠️
Corta pra dezembro de 99. Litoral de Santa Catarina. Manhã de verão, eu na "mó" larica, caminhando na praia com meu irmão.
Vimos pescadores puxando rede, ajudamos pela vibe, e ganhamos uns peixes de presente. Missão cumprida: fome no talo, panela esperando. Era só limpar e mandar ver.
Foi quando apareceu um nativo, tipo um NPC mensageiro do além, e mandou a real:
“Não comam isso aí. Se comerem, vocês morrem.”
Eram baiacus. O bicho tem uma toxina que mata um adulto rapidinho. Eu literalmente escapei de ir de arrasta pra cima por causa de um aviso de última hora.
A toxina que poderia ter encerrado a minha história ali virou o segundo grande aviso: o baiacu não era só um peixe, era um marco na minha vida.
FASE 3: O Glitch na Matrix (O Beatbox) 📺
Vinte anos depois.
Eu já era um adulto funcional (na medida do possível), hospedado num hotel a trabalho. No banho, eu tinha a mania de ligar a TV alto em canal de clipes e ficar brincando de fazer beatbox com a água na cara, brisando no som.
Um dia, saio do banho com o ritmo na cabeça. A TV estava passando "The Salmon Dance", do Chemical Brothers.
Bem na hora que eu parei o meu beatbox, quem começa a fazer beatbox no clipe? Um fodendo baiacu animado em CGI.
Ali eu entendi. Não era só coincidência. Eu, as mandalas, a quase-morte, o baiacu beatboxer…
Era como se o universo estivesse me cutucando com uma vara curta: "Vai fazer alguma coisa com isso, ô idiota." 🤔
A Conexão Final e a Criação da Pufferfish™ 🐬💨
A peça final veio recentemente, em 2024.
Vi num documentário que golfinhos, quando estão entediados, usam baiacus como droga recreativa. Eles mordem o peixe de leve para ele soltar um pouco da toxina e ficam chapadões.
Eu não parei mais de pensar nisso. A sensação era de que um universo inteiro de histórias já existia no mundo das ideias — e eu só estava captando os sinais.
Foi aí que a ficha caiu. Eu sempre gostei de stand-up comedy, sempre criei roteiros na cabeça. Eu precisava de um veículo para colocar essa criatividade caótica para fora.
Nasceu a Pufferfish™.
Mais do que uma marca de roupa, a Pufferfish™ é o primeiro passo de um projeto maior. É o laboratório visual, o financiamento coletivo e a prova de conceito para um futuro desenho animado que já está sendo escrito na minha cabeça: TideFly And The Pufferfish™ (sim, tem um golfinho fugitivo e um baiacu rabugento envolvidos).
Enquanto o desenho não sai, a gente veste as ideias.
É daí que nasce também a GWS — Gaia Wonderful Studios: o ecossistema criativo que estou construindo para transformar todas essas sincronicidades em animações, estampas, narrativas e experiências.
Bem-vindos.
Vistam a camisa antes que o mundo inflacione de vez. 💥
